GAUDÍ O LEGADO DE UM SÉCULO
Cem anos após sua morte, o mestre das curvas e das estruturas orgânicas ressoa na NOU como o manifesto supremo do Modernismo Catalão — onde a linha reta pertence aos homens e a curva revela a arquitetura do sagrado.

Barcelona, 1926. Um homem de roupas gastas caminha distraído pelas ruas da Catalunha, sem ver o bonde que se aproxima. O choque é violento. Levado a um hospital de caridade como um anônimo, o mundo descobria tarde demais: aquele era Antoni Gaudí.
Aos 73 anos, o mestre das curvas e das estruturas orgânicas deixava o plano físico, mas não sem antes cravar na terra sua obra máxima, a Basílica da Sagrada Família. Intérprete supremo da natureza, Gaudí rompeu com a rigidez industrial do século XIX para abraçar o Modernismo Catalão — sob a premissa de que a linha reta pertence aos homens, enquanto a curva pertence a Deus.
Sua herança transformou Barcelona em um museu a céu aberto. Do uso sustentável do trencadís no Parque Güell às fachadas poéticas da Casa Batlló e Casa Milà, sua visão antecipou em um século o biophilic design e a arquitetura intencional.
No ano de seu centenário de morte, a entrega da cúpula monumental da Sagrada Família coroa a jornada do mestre que ensinou o mundo a encontrar o sagrado nas formas imperfeitas da terra.
NOU é uma publicação dedicada à arte de morar com intenção, à arquitetura autoral e à hospitalidade afetiva.
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